ENTREVISTA

NOME: Osvaldina Barbosa Derio. APELIDO: Dina.
FUNÇÃO: Cobradora. IDADE: 58 anos.

REALIZADA POR: Eneida Maria Leone de Souza Jabur.
DATA: 31/08/2017.

1) Há quanto tempo você trabalha na Viação Rocio?

Osvaldina Barbosa Derio: No total, faz 20 anos. Trabalhei 3 anos, saí e voltei novamente em 2001.

2) Como foi sua trajetória na Viação Rocio?

O.B.D.: Eu comecei trabalhando no setor de higienização, e fiquei lá por alguns anos. Fiz um curso de cobradora, conversei com o gerente de tráfego… e deu certo! Estou até hoje nessa função. Esse é meu segundo serviço de carteira assinada.

3) Você se considera um bom profissional? Por quê?

O.B.D.: Eu me considero. Gosto muito do que eu faço, nunca tive problema com passageiro, trato todo mundo bem. Aqui (a Viação Rocio) é minha segunda casa.

4) O que você acha que faz a diferença na sua atuação profissional?

O.B.D.: “Posso ter vários problemas, mas sempre recebo as pessoas com um sorriso, sempre cumprimento. Tem passageiro que pede pra que eu continue na linha e tem passageiros que me elogiam… Nunca fui maltratada, e estou sempre sorrindo. A gente tem que sempre estar de bom humor, ninguém tem nada a ver com os nossos problemas. Os passageiros agradecem quando recebem ajuda, ou quando a gente os espera. “Tem que fazer as coisas com carinho e amor; gostar do que faz”.

5) O que você mais gosta no seu trabalho?

O.B.D.: Eu gosto da minha função, gosto do contato com o público, de criar laços de amizade. Já ajudei muita gente e já recebi também muita ajuda.

6) O que você costuma fazer nas horas livres?

O.B.D.: Vou para Antonina, ver minha mãe. Ela está doente, então, eu e meus irmãos nos revezamos para cuidar dela. Ela está morando com uma irmã, e nós perdemos o meu pai faz só 4 meses. Eu também estou estudando a noite, terminando meu Ensino Médio. Ah! Sempre que tenho uma horinha, costumo “deixar a casa em dia”, fazendo as atividades domésticas.

7) Qual seu conselho para quem quer se destacar na sua área de atuação?

O.B.D.: Dedicar-se, ser compreensivo, fazer as coisas com amor, procurar se aperfeiçoar, aprender e melhorar… em qualquer área que seja, se você não gostar do que faz, você não vai querer se empenhar, se dedicar. É importante, também, se relacionar bem com as pessoas e criar laços.

8) Cite um fato marcante no seu trabalho.

O.B.D.: Uma vez, uma senhora estava descendo do ônibus, e eu me levantei, saí do meu lugar e fui ajuda-la. Ela me agradeceu, e falou “continue assim, que Deus irá lhe recompensar muito”. Esse foi um dia em que eu estava muito, muito triste, pois estava enfrentando uns problemas de saúde na família e, sem saber, aquela senhora mudou o meu dia. Um outro fato que me marca bastante é quando os passageiros embarcam e falam “que bom que você está aqui!” ou quando eu os ouço comentando com as outras pessoas coisas como “ela é uma cobradora muito boa!”.

9) Que princípios você considera importantes?

O.B.D.: O amor. Se você não tem amor, não tem sentido na vida. Principalmente, amor pela família. Seguir uma religião também é importante… A pessoa nunca pode perder a fé em Deus, que é o principal caminho. Se você perde a fé, você perde tudo. É importante sempre ser grato a Deus por tudo! Pelo muito, pelo pouco… sempre ser grato a Deus. Além de se ter amor por tudo que você faz, pois, com amor, você consegue tudo! É preciso também lutar pelos seus objetivos e nunca perder a esperança.

10) Um pouco de sua história de vida:

O.B.D.: Eu sou a mais velha de uma família com 8 filhos: 5 mulheres e 3 homens; desses, hoje, 3 são falecidos. Meus pais tiveram uma vida muito dificil. Moravam num sítio, tinham poucos recursos, e nenhum acesso aos estudos. Quando eu fiz 4 anos, eles se mudaram para Antonina, que era perto do sítio onde a gente vivia. Alguns anos depois, minha mãe começou a trabalhar para fora e eu, um pouquinho maior, comecei a cuidar dos meus irmão menores. O meu pai trabalhava para o Sindicato dos Arrumadores, mas bebia demais, e era agressivo com a minha mãe…,  às vezes ele sumia por uns 4 dias seguidos. Nesse tempo, nós passamos bastante dificuldade, chegando a dormir em esteiras ao invés de camas.
O tempo passou, e eu comecei a namorar. Com 16 para 17 anos, engravidei e queria sair de casa, mas minha mãe se separou do meu pai nesta mesma época, e eu acabei ficando com ela até meu filho completar 2 anos. Quando eu sai de casa, comecei a trabalhar numa casa de família, e deixei meu filho morando com minha mãe, mas eu estava sempre “por perto”. Quando completei 21 anos, me mudei para Paranaguá! Aluguei uma casa e trouxe meu primeiro filho, Cláudio, para morar comigo. Então, em 1987, tive meu segundo filho, Adrian. Criar filhos sozinha não é fácil, mas eles, hoje, são pessoas de bem, respeitados, bem quistos… e isso já é motivo de gratidão a Deus.
Em 1992, eu entrei na Viação Rocio, pela primeira vez. Eu sai, 3 anos depois, para montar um restaurante no pátio de triagem. Mas, resolvi fechar por estar me gerando muita despesa. Voltei para a Viação 5 anos depois e pretendo ficar até me aposentar.
Eu me considero uma pessoa feliz. Tenho emprego, saúde, meus filhos, minhas noras, meus netos (um deles enfrentou câncer nos ossos, mas, graças a Deus, está curado), estou estudando… e pretendo, futuramente, fazer algo relacionado a gastronomia.

 “Posso ter vários problemas, mas sempre recebo as pessoas com um sorriso, sempre cumprimento. Gosto muito do que eu faço, nunca tive problema com passageiro, trato todo mundo bem”.